O Comitê realizou três pesquisas para:
- identificar o nível de aprendizagem da leitura e da escrita das crianças que estavam cursando a 2.ª série do ensino fundamental nas escolas públicas de 48 municípios que aceitaram compor a amostra;
- analisar como estava se dando a formação do professor alfabetizador no estado do Ceará;
- observar a prática docente e condições de trabalho dos professores alfabetizadores em uma amostragem de escolas do Estado.
A pesquisa foi concebida e conduzida em conjunto com as principais universidades cearenses: UVA, URCA, UECE, UFC e UNIFOR.
O estudo revelou as seguintes conclusões:
- somente 15% de uma amostra de cerca de 8000 alunos leram e compreenderam um pequeno texto de maneira adequada;
- 42% das crianças produziram um pequeno texto que, em muitos casos, eram compostos por apenas duas linhas. Nenhum texto foi considerado ortográfico pelos avaliadores;
- a maioria das universidades não possuía estrutura curricular adequada para formar o professor alfabetizador;
- grande parte dos professores não possuía metodologia para alfabetizar, abusava de cópias na lousa e usava muito mal o tempo de aula que era bastante reduzido: aulas começavam tarde, terminavam cedo e tinham intervalos longos.
Terminado o diagnóstico do Comitê, a APRECE em parceria com a UNDIME/Ce e apoio do UNICEF, resolveram dar prosseguimento ao Comitê e criaram o Programa Alfabetização na Idade Certa, cujo objetivo era apoiar os municípios a elevarem a qualidade do ensino da leitura e escrita nas séries iniciais.
Em 2005 o Programa Alfabetização na Idade Certa, em decorrência da pesquisas do Comitê, definiu algumas recomendações para que os municípios superassem o grave problema de aprendizagem que está gerando analfabetos dentro da própria rede escolar.
Estas recomendações tornaram-se as premissas de um pacto de cooperação que foi assinado pelos prefeitos de 60 municípios que concordaram em participar do programa.
As recomendações contidas no “pacto” tinham a finalidade de comprometer os municípios com as seguintes metas:
- priorizar a alfabetização de crianças, redimensionando recursos financeiros para os programas da área;
- estimular o compromisso dos professores alfabetizadores com a aprendizagem da criança, por meio da valorização e profissionalização docente;
- rever os planos de cargos, carreira e remuneração do magistério municipal, priorizando incentivos para a função de professor alfabetizador de crianças a partir de critérios de desempenho;
- definir critérios técnicos para a seleção de núcleos gestores escolares, priorizando o mérito;
- implantar sistemas municipais de avaliação de aprendizagem de crianças e desempenho docente;
- ampliar o acesso ä educação infantil, universalizando progressivamente o atendimento de crianças de 4 e 5 anos na pré-escola;
- adotar políticas locais para incentivar a leitura e a escrita.